Feminino Redimido

Alguns anseios nascem e morrem dentro de mim todos os dias, talvez, alguns apenas adormecem. Falar sobre o feminino, desenhar o feminino, pensar no feminino redimido sempre esteve em mim – cravado na minha história e vivências. Mas, nunca consegui expressar em palavras esses pensamentos e sentimentos tal qual como faz a Kamilla Domingues. Encontrar as palavras dela sobre esse tema fez reviver muitas coisas dentro de mim. E é através deles que nasce esse projeto sobre o Feminino Redimido, com uma série de textos e ilustrações que, em parceria, pretendemos desenvolver sem pressa mas, não despretensiosamente.


 

| Eva Caída e Redimida

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Quando penso em Eva – essa mesma, a mulher de Adão, feita da costela do homem, que vivia no Éden – fico atenta a tudo que ela tem a me dizer. Cresci ouvindo sua história como algo tão pequeno, tão supérfluo, como um exemplo de desobediência, culpa. Sou grata, por todas as vezes que ouvi seu nome junto ao relato da Criação, mas como gostaria que mulheres mais velhas a minha volta tivessem escutado o que Eva tem a nos dizer, e tivessem me contado sua história com a profundidade, beleza e graça sem fim ali contida. Ouvir o que Eva tem a nos dizer, também diz respeito a comprometer-se em contar a outras mulheres o que se ouviu! E escrever esse texto, é parte disso.

Nos últimos 10 anos, tenho tido o privilégio de conhecer mulheres que ecoaram e ecoam ao meu coração o que aprenderam e aprendem com Eva. Nos últimos anos, eu mesma tenho parado para ouví-la.

Eva me conta sobre meu coração feminino. Sobre eu haver sido criada com um coração voltado ao romance; sobre beleza a ser revelada; sobre cumprir um papel insubstituível numa grande aventura; sobre compartilhar dessa aventura com um homem sendo “sustentadora ao lado dele”; sobre compartilhar dessa aventura com os que estão a minha volta; sobre ser a parte mais frágil; sobre a habilidade natural de acolher os que necessitam afeto; sobre o “gerar vida” (ou habilidade criativa) e como isso me permite cantar sobre “ossos secos”; sobre estar em um jardim e cultivá-lo; sobre uma conexão com a natureza; sobre o sagrado em meu corpo… e também como tudo isso se perdeu, como todas essas preciosidades foram deturpadas quando o primeiro casal desobedeceu no Éden e o pecado entrou na história da humanidade. Mas, acima de tudo, Eva me conta sobre Gênesis 3:15 e a promessa de um Deus que se fez homem para redimir todas as coisas, inclusive o feminino, a própria Eva e suas filhas!

E hoje, dia a dia, eu e muitas mulheres, tem parado para ouvir a profundidade da história contada através da Eva criada, caída e redimida e se agarrado na esperança que Deus anunciou: em Cristo “tudo se faz novo”. Que Nele nossos corpos femininos espalham uma beleza que transcende o que se vê, que não são meio de erotização mas de vida! Que em Cristo nossos seios alimentam, abrigam, consolam, abraçam, oferecem colo. Que nossa sensualidade é um presente e não moeda de troca. Que nossas curvas são encaixes perfeitos para a cooperação, para o partilhar. Que abrigamos um jardim privado em nosso interior. Que em Cristo podemos voltar ao estado inicial do Éden e podemos “estar nus sem constrangimento”, revelando ao mundo, sem máscaras toda a essência do que fomos criadas para ser, e como Eva redimida, “sendo suprida no profundo de sua alma por Cristo e livre para se oferecer aos outros, livre para desejar, e está disposta a ser frustrada. A Eva caída foi ferida pelos outros e se afasta para se proteger contra mais danos. A Eva redimida sabe que tem algo de valor para oferecer; que foi criada para o relacionamento. Portanto, estando segura e protegida em seu relacionamento com o Senhor, ela pode assumir o risco de ser vulnerável com os outros e oferecer seu verdadeiro eu ” (Stasi Eldredge).

Nossa fragilidade não nos amedronta, não nos pesa! Ela está em nós, é parte do que somos e um meio onde descobrimos nossa força. “As mulheres redimidas em Deus têm um coração terno e misericordioso, uma coluna de aço e mãos que foram treinadas para a batalha. Há algo incrivelmente feroz no coração de uma mulher que deve ser enfrentado — e não descartado, desprezado, mas reconhecido, honrado, acolhido e treinado (Stasi Eldredge)”. Nossa fragilidade revela beleza e nosso instinto selvagem, que perdeu-se no Éden e encontrou-se na cruz! Na cruz onde o amor selvagem, o anseio pelo relacionamento do Deus que se fez homem, resgatou nossa feminilidade.

Eva nos conta que ainda que falhemos, há esperança: Porque Deus se fez homem, hoje podemos ser mulheres. Mulheres como Eva, antes do pecado tocar sua essência feminina!


Texto por: Kamilla Domingues

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“Kamilla Domingues, entre tantas coisas, mulher caída e redimida naquEle que se fez Homem para que possamos ser mulheres. Bordadeira, crocheteira, costureira, tecelã e ilustradora, amiga das ervas e amante da criação
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2 Comentários

  1. Belíssima obra. Texto e Imagem. Parabéns por acreditarem no talento de vocês @FabiellaFlores e @KamilaDomingues. Que a semente que foi ao solo e morreu, possa brotar e trazer vida através das ilustrações e palavras de vocês. :)

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